quinta-feira, março 01, 2007

Pense, por favor, pense!

Ricardo Gondim

As pessoas mais idosas ganham alguns direitos com a idade. Não precisam esperar em filas, têm desconto nas bilheterias dos teatros e, no Brasil, não pagam passagem de ônibus.
Envelhecer tem também algumas vantagens menos percebidas. Os mais experientes ganham o direito, por exemplo, de se zangarem. Permitimos que eles reclamem de barulhos inconvenientes, de casa mal arrumada e de outras coisas que lhes chateiam na vida.
Estou longe de tornar-me um velho, mas já quero reivindicar pelo menos um privilégio.
Quero o direito de zangar-me com pessoas que têm preguiça de pensar. Acabo de descobrir uma coisa horrorosa: o número dos indolentes mentais é muito maior do que jamais imaginei.
[...]
Pensar não é difícil. Pode ser perigoso, mas não é complicado; pode ser trabalhoso, mas não é proibido.
É preferível correr o risco de se expor à ameaças de um herege peçonhento como eu do que ser encabrestado por um professor obtuso e preconceituoso. É muito mais digno ter opinião própria do que repetir preconceitos alheios.
A religião tenta preservar-se criando “Guantánamos” onde joga aqueles que ela considera terroristas. Lá mofam os “Galileus” que ousaram afirmar suas constatações científicas; lá apodrecem os “Huss” que não se conformaram com as viseiras farisaicas que lhes foram dadas; lá morrem os “Martin Luther Kings” que não se curvaram ao status quo.
A religião de certezas não tolera que a espiritualidade conviva com incertezas. O fariseu precisa criar sistemas lógicos para que suas opiniões perdurem inabaláveis. Ele apedreja todos os que se expuserem a outras verdades. E quem tiver a petulância de pedir explicações será exilado.
A postura da elite eclesiástica é: rotule-se como apóstata todo o que olhar por cima das nossas cercas para ver se há alguma vida fora do nosso estreito corredor dogmático.
O religioso não defende o livre pensar, pelo contrário, busca criar ojeriza aos “rebeldes” para que ninguém nunca reflita no que eles afirmam.
Contudo, nem todos valorizam a liberdade, alguns preferem marchar como bois para o matadouro; outros, cabisbaixos, adoram obedecer sem questionar.
Há momentos que tenho uma vontade louca de gritar: “Pense, amigo. Por favor, pense!". Tenho o ímpeto de ajoelhar-me diante de algumas pessoas e implorar: “Meu irmão, leia mais. Tente adquirir a maior riqueza que alguém pode possuir: bom senso”.
Acho que já cheguei à idade de confessar que fico nervoso quando estou perto de gente que se deixou massificar pelo ambiente religioso. Não suporto mais conversar com pessoas que se contentam em repetir jargões e não têm ânimo de raciocinar no que acabaram de dizer.
[...]

Que Deus me ajude!
Soli Deo Gloria.

quinta-feira, janeiro 25, 2007


Houve, há muito tempo atrás, um homem chamado Teudas. Não sabemos muito a seu respeito, a não ser aquilo que podemos encontrar nas palavras de Gamaliel, registradas por Lucas em seu segundo livro a Teófilo. Ao que tudo indica, Teudas foi um líder religioso como muitos que encontramos em nossos dias. Eles estão em nossas próprias Igrejas e, não raro, à frente delas. São carismáticos e comunicadores, conseguem mobilizar as pessoas e fazem com que elas sinceramente creiam neles.
É exatamente aí que reside o problema. Será que devemos crer em pessoas ou em idéias e valores? Claro que a primeira questão que se levanta é o fato de que nós cremos em Cristo, mas a nossa fé em Cristo se materializa na vivência de Seus ensinamentos. Lembrem-se do que Jesus disse: “Se alguém Me ama, guardará a Minha palavra”, (Jo. 14.23).
Há comunidades, instituições e movimentos que se baseiam em homens e não em valores, princípios ou verdades. Caem ou morrem estes homens, caem e morrem estas organizações. São o resultado do trabalho de pessoas que se pregam a si mesmas; que “insinuam ser alguma coisa” e não são; que desejam que os homens se agreguem a eles, que sejam fiéis a eles e não àquilo que eles fazem, vivem e ensinam.
Esse tipo de personalismo é muito comum em nossos dias. Dizem que “cada Igreja tem a cara do seu pastor”, será que deve ter? Acredito que a Igreja deve ter seus contornos definidos pelos valores que defende, pelas verdades que prega, pelos princípios que norteiam sua conduta sobre a Terra, e tudo isso deve ser retirado das Escrituras, sob a direção do Espírito, e não da mente brilhante e criativa de algum “Teudas”.
É o fim daqueles que constroem impérios sobre a frágil estrutura de um homem, eles dão em nada. Pessoas se “convertem a” seguidores deles, mas não se “convertem em” pessoas melhores, mais justas e amorosas.
De fato como Jesus, Ele não pregou a Si mesmo, mas anunciou a chegada do Reino de Deus; Ele não nos convidou a conhecer o Seu poder de influência e a Sua riqueza, mas nos mostrou as Suas chagas, feitas por amor; Ele não nos prometeu fortuna se O seguíssemos, mas uma cruz diária. E, mesmo assim, milhares e milhares de pessoas continuam o seguindo em nossos dias, isso porque crêem em Suas palavras e seguem Seus passos e a Sua voz.

Não é pra menos que quase ninguém sabe quem foi Teudas...

quinta-feira, janeiro 11, 2007


Geralmente se diz que fé é acreditar em Deus.
Ou ainda que fé é acreditar que Deus tudo pode.
As duas definições, entretanto, nada nos acrescentam,
pois esse tipo de fé até mesmo o diabo tem.
Gosto da definição de Rob Bell:
fé é acreditar que Deus acredita em você.
Essa foi a experiência de Pedro
quando pediu que Jesus o chamasse para
andar sobre as águas. E Jesus o chamou, isto é,
pronunciou uma palavra de ordem a seu respeito.
Pedro saiu do barco e caminhou sobre as águas.
Mas em dado momento prestou atenção no vento,
e duvidou.
Começou a afundar e clamou por socorro:
“Senhor, salva-me!”
Pedro não duvidou de Jesus
e nem de seu poder de salvar.
Então, duvidou de quê?
Duvidou de si mesmo.
Duvidou de que seria capaz de cumprir
a palavra de Jesus pronunciada a seu respeito.
Fé não é acreditar que Deus tudo pode.
Fé é acreditar que
“tudo posso naquele que me fortalece”.
Quem acredita que Deus tudo pode e nada faz,
tem fé sem obras, e fé sem obras é fé morta.
Hebreus 11 é chamado de “galeria dos heróis da fé”.
Ali estão registrados os exemplos de fé.
Não são pessoas que apenas acreditaram
em Deus ou no fato de que Deus tudo pode.
São pessoas que, porque acreditaram em Deus,
e no fato de que Deus tudo pode,
deixaram sua zona de conforto
e se arremessaram a andar com Deus,
obedecendo as ordens de Deus
e perseguindo as promessas de Deus.
Fé é acreditar que Deus acredita em você.
por Ed René Kivitz

quarta-feira, dezembro 13, 2006



"Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na MORTE, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida." (Rm 6:4)

Gosto muito de toda movimentação envolvendo as comemorações do Natal, principalmente as árvores enfeitadas e as luzes coloridas. Muitas luzes...
Luz na rua, luz na praça, luz na janela, luz na árvore, luz no shopping, luz nos prédios. É o natal, cada vez mais, de todas as luzes. As cidades se enfeitam e o povo se diverte curtindo a metróple iluminada.
Que pena que a luz na rua não dá direção à mente da menina abandonada que nela corre sem rumo.
Que pena que a luz na praça não dá lucidez ao bêbado caído no seu chão.
Que pena que a luz na janela não aquece o coração gelado da mulher traída que, nela debruçada, ainda chora a perda do seu grande amor.
Que pena que a luz na árvore não ilumina a mente daquele que destrói a natureza.
Que pena que a luz no shopping não faz a vida melhor do desempregado, que passeia por suas escadas rolantes, tentando explicar para os filhos mais um Natal sem presentes.
Que pena que a luz nos prédios não consegue penetrar nos lares do seu condominio, levando esperança a casamentos próximos do fim.
Que bom saber que a luz do céu de Belém ainda brilha no coração de todo aquele que crê, trazendo direção, força, consolo e esperança.
Luz que não faz apenas o brilho da festa, mas que pode transformar em festa o seu coração, por isso, deixe Jesus nascer em sua vida e então será Natal também para você.


"Espero anciosamente pelo dia em que meu Super-Herói de cicatrizes nas palmas das mãos virá me buscar..."

sexta-feira, novembro 03, 2006

O Que Não se Discute...



O que não se descute... Gosto, futebol, política e religião.
Foi isso que me disseram hoje quando tentava conversar com um colega sobre Deus. É inútil discutir essas coisas, pois cada um tem sua opinião e ninguém está certo, diziam.
Como assim? Concordo que pra algumas coisas não existem verdades absolutas e que existe espaço para discussão (antes que vocês acendam as fogueiras para me queimarem por heresia, deixem-me explicar). Não existe verdade absoluta pra decidirmos se manga é melhor que maçã, se o titular da seleção brasileira devia ser o Robinho ou o Ronaldo, ou se o candidato à presidência Cristovam seria um melhor presidente do que Lula. Portanto, existe uma esféra de assuntos onde não é possível definir claramente o CERTO e o ERRADO.
Infelizmente essa esféra tem se expandido de tal forma que até a MORALIDADE tem sido englobada pelo relativismo. E é por isso que RELIGIÃO não se discute. Não se pode lidar com "verdades" pois elas são relativas, não é possível falar sobre "absolutos" pois eles não existem. Hoje em dia está mais difícil pro povo saber quando bater o pé e dizer, "ISSO É O CERTO!" ou "A VERDADE É ESTA!" Conseqüentemente, não se pode dizer que existe uma verdade sobre Deus, uma verdade sobre como ter um relacionamento com Ele, ou uma verdade absoluta de COMO chegar até Ele. Por isso que fui tão criticado hoje. As pessoas estranharam que eu tinha absolutos, que eu pregava verdade absoluta e que tinha certeza do meu Deus. Isso bate tão de frente com aquilo normalmente apresentado que decidiram então encerrar a discussão por aí. "Você é muito cabeça dura," ou "quem é você pra dizer que está certo e eu errado?"
O que nós cristãos fazemos então? Bom, aqui vão algumas sugestões:
1) Devemos mostrar que ser relativista é ilógico.
2) Devemos puxar a discussão para a Bíblia, buscando demonstrar como ela é a palavra de Deus.
3) Devemos mostrar que a Bíblia prega um Deus absoluto, com verdades absolutas.
4) MARRETAR o evangelho neles explicitamente. O pecado existe, é realidade da vida de todos, condena a todos para punição eterna e só pelo sacrifício de Cristo é possível escapar dessa punição.
5) Finalmente, orar (e muito) pelos perdidos com quem estamos discutindo. O raciocínio lógico nunca levou ninguém a salvação, só a atuação do Espirito Santo fez/faz isso. Se Ele estiver ausente da parada toda a discussão é fútil e semente nenhuma brotará no coração dos perdidos. Sucumbir ao relativismo e não confrontá-lo é afronta direta à essência de Deus e suas verdades.
posted by Daniel Portela

segunda-feira, outubro 23, 2006

Uma religião que não vale a pena



É uma religião que, uma vez aceita, não torna ninguém melhor do que era.
É uma religião que permite distanciar-se da virtude, dando uma falsa segurança que os eleitos estarão seguros em seu pecado.
É uma religião que gera um clima de culpa, nunca plenamente expiada.
É uma religião que elege pessoas humanas para serem seus representantes diante da Divindade; fora eles, ninguém mais tem acesso a Deus.
É uma religiâo que valoriza a técnica de como obter o favor de Deus mais que a gratuidade do seu amor.
É uma religião que reforça o egocentrismo e não a busca da justiça.É uma religião que se pratica ocasionalmente; não é uma filosofia de vida.

Soli Deo Gloria